03.04.2006
CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - CHAPEUZINHO, UMA OVA, MEU NOME AGORA É SAMANTHA RED.
Era uma vez um menininho que era obrigado pela mãe a vestir uma capa horrorosa e demodê, vermelha com capuz, imaginem a desgraça, atravessar uma floresta cheia de lobos e a ir até a casa da vovozinha surda levar doces. Um belo dia ele cansou dessa lenga lenga, tacou fogo naquela capa miserável, deu os doces pros lobos, tomou outro rumo, achou um lenhador leeeeendo de morrer, escafedeu-se e foi viver num chalet charmosérrimo à beira de um lago glamuroso na Suiça, bem linda, bem tudo.
CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - A FERA E A FERA.
Era uma vez uma moça que foi entregue a uma fera para pagar as dívidas do seu papai. A fera era grande, bruta, de direita e tinha um temperamento pra lá de casmurro. A moça, apesar disso, apaixonou-se por ela, pois não resistia a opiniões fortes, atitude, inteligência e força. Quando o feitiço se quebrou e a fera virou um príncipe mangolão engomadinho, a moça, que não era nenhuma flor que se cheirasse, em vez de voltar pra casa do pai tratante, procurou a bruxa para tranformar o príncipe insoso novamente em fera. E viveram apaixonados bem longe de xópim centers, discutindo política e literatura, cheios de tesão um pelo outro, comendo feijoada e assistindo futebol.
EU TE-NHÔ, VOCÊS NÃO TE-NHÊ.
CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - BRANCURA RINSO.
Era uma vez uma princesa muito branquinha, muito branquinha, tão branquinha que seu nome era Brancura Rinso. Discriminada pela madrasta afro-decendente, esnobada pelos príncipes surfistas e relegada ao seu FPS 60, resolveu fazer ecoturismo. Lá, encontrou um caçador mau, forte, viril, másculo e tudibão, que abotou a madrasta, reformou o castelo e construiu um deck coberto para que Brancura Rinso desfrutasse de aprazíveis horas de leitura e fornicação ao ar livre.
DICIONÁRIO DE SENTIDOS, verbete n.º 3.
|||ABANDONO, S.m:
O abandono tem a voz triste do silêncio num timbre que traz consigo navalhas e agulhas, semeia ratos sob as camas, rouba-nos os sapatos, arranca nossas unhas e nos beija manso com a boca cheia de vespas. O abandono não tem olhos, de nós não toma conhecimento, não tem culpa, mas justificativas, e seus passos pesam toneladas de concreto sobre nossas barrigas. O abandono tem um rosto transparente que lembra alguém que conhecemos e nos faz pequenos como só sóem ser aranhas e formigas.
CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - A PRINCESA E O SAPO.
Era uma vez uma princesa que achava que era sapa porque todo mundo a olhava como se sapa fosse. Era uma vez um príncipe que achava que era sapo porque ele se via como se sapo fosse. O príncipe olhou para princesa como princesa e a princesa olhou para o príncipe como príncipe. Ela percebeu que ele estava certo e virou princesa. Ele achou que ela estava errada e continuou sapo. Então a princesa achou um outro príncipe e foi feliz para sempre, muito agradecida ao sapo. FIM.
DICIONÁRIO DE SENTIDOS. Verbete n.º 2.
||| PAIXÃO, S.f. :
A paixão é o quarto estado da matéria. Em ordem crescente de entropia: sólido, líquido, gasoso e apaixonado. É o estado em que as moléculas quicam e o equilíbrio é extremamente instável. Muito poucos materiais encontram-se em estado apaixonado nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP).
DICIONÁRIO DE SENTIDOS. Verbete n.º 1.
||| CANSAÇO, S.m. :
O cansaço tem a tonelagem dos anos, ainda que seja recém nascido, e traz os pés emaranhados em redes presas no fundo de um rio longínquo, prende o riso em cômodas antigas e dá voz aos sussurros guardados nos armários junto das chaves que não abrem mais nada. O cansaço carrega sempre um cesto de ninharias de valor inestimável, com suas boquinhas negras muito abertas e cheias de dentes, sedentas de sangue e fadiga e nos põe sempre um punhado de terra nos olhos e uma tristeza de lápide.
VUELVO AL SUR
B.A. 03.04.2005
(astor piazzolla/ fernando solanas)
vuelvo al sur
como se vuelve siempre al amor
vuelvo a vos
com mi deseo, con mi temor
llego al sur
como un destino del corazón
soy del sur
como los aires de un bandoneón
sueño el sur
inmensa luna, cielo al revés
busco el sur
el tiempo abierto y su después
quiero el sur
su buena gente, su dignidad
siento el sur
como tu cuerpo en la intimidad
vuelvo el sur
llego al sur
BARBARISMOS
Para você amiga desajustada pelo vício, que se sentia deprimida e desgraçada, dosorientada e dadeira, em desaçaimado e descontente processo de desintoxicação descompassado, seus problemas desapareceram:
Bárbara About voltou.
Aleluia, irmãs! Aleluia!
EU DISSE, EU AVISEI.
LADRILHOS
Acordar cedo, bastidores de Dinastia, céu azul, Yacult, um nome querido no celular, lágrimas surdas, companheirismo amoroso, expectativa britadeira, velório, palavras mudas, o olhar que não enxerga o que vê, beijo no ar, o egoísmo da generosidade, afago nos cabelos, abraço apertado, olhos d'água contidos, carinho no pescoço, deboche sem motivo, a família que não foi e não deixará de ser, beleza de plástico, o olhar que enxerga o que não vê, a generosidade do egoísmo, não esqueça de mim!, espaguete com salmão, fatos e montagens, expresso médio-forte, fichas caindo, profecias desafiadas, abrendendo a manejar o aríete, docinho de sobremesa, massinhas de modelar, competição e inveja, viva o 02 de abril!, novo café, outras fichas vermelhas e pretas, o sol que cega, Spike Lee, hamburguer e batata frita, três amigos com morada do lado esquerdo, mais um domingo que se foi, re-começo, re-encontro, re-talhos costurados.