17.07.2006
Este blog foi encerrado.
Ticcia escreve agora em:
Acaboôôôôô, acaboooôôôô**!
Há tempos tenho a certeza de que vivemos em ciclos. Alguns duram 28 dias e outros duram bem mais. É como se a natureza nos dissesse que é preciso preparar a terra para receber a semente, arando-a com vigor, depois plantar na lua certa, regar o chão na medida exata para não afogar o broto que ainda nem aparece e não matá-lo na secura. Antes do gomo germinar há o recolhimento dentro da terra. Depois vem toda aquela historinha que vocês sabem de como a plantinha cresce, atinge seu apogeu e depois morre, dando lugar a nova safra. Me parece que do dia-a-dia das sereshumanas ocorre exatamente da mesma maneira: é o ciclo da vida-morte-vida. E ontem, sentada num café, conversando com quem teria todos os motivos do mundo para não olhar na minha cara, é que caiu a minha ficha de que estes três anos foram um ciclo que está terminando.
O MM's teve de tudo: gente legal, gente louca, gente cega, gente chata, gente inteligente, gente com o olhar aguçado. Através dele entraram na minha vida pessoas incríveis, algumas que dormiram na minha cama e outras no sofá, mas que entraram na minha casa, phinamente decorada, pela porta da minha outra casa, virtualmente enfeitada. Através dele eu entrei na vida de pessoas sensacionais que me colocaram para dormir em suas camas e, noutras vezes, no sofá. Foi muito bom. O MM's me trouxe felicidade, me trouxe dor, me trouxe amolação, carinho, agressividade, sossego e torração de saco. Por que na minha vida nada é um mar cor de rosa e nada é um breu profundo.

O MM's também foi um casamento de duas maridas. Teve carinho, teve choro, teve discussões, teve aborrecimentos e chateações, teve colo, teve fofoca, teve muitas e muitas risadas, teve descobrimentos importantes e revelações bombásticas, teve assunto. Foi um casamento por amor e afinidades (eu bem que fiz de um tudo para que fosse por dinheiro, mas a mão-de-vaca da Patrícia nunca me pagou um único vintém pelos magníficos textos que aqui escrevi) e hoje fica claro para qualquer um quem é a Magérrima e quem é a Megera.
E quem pensou que estavamos trancadas em casa como duas velhas chorosas se enganou: estavamos num boteco comemorando o velório do MM's, comendo até explodir (eles, né! por que eu sou uma mulher operada, toda inchada e colorida que não pode se dar ao luxo de comer) e bebendo cerveja gelada (eles, né! por que eu não bebo, não fumo, não cheiro e não trepo - como diz um amigo meu que você não conhecem não, sou uma criatura totalmente agnóstica).
Não, eu não pretendo ter um blog tão cedo. A Megera está bem linda bem tudo preparando aulas para lecionar na universidade e escrevendo a dissertação do mestrado (antes que o orientador me deixe azul de bancada para combinar com o verde dos hematomas). Falta ego para tanta coisa, é preciso racionar.
Eu te amo. Boa sorte na casa nova.
*Na voz da Ivete Sangalo, por que eu adoooro axé bahia.
**Atenção, isto foi uma ironia.
***Só para constar: Adelaide, minha anã paraguaia, está ficando mais velha e acabada hoje. É uma cruz que eu carrego essa pessoa.
TÁ CHEGANDO A HORA.
Quando eu convidei a Ro para fazer um blog, não pensei exatamente no que iríamos escrever, nem em adotar pseudônimo, nem em manter privacidade, nem em que tipo de assuntos tratar, muito menos de que forma. O Megeras nasceu e viveu com a ingenuidade e o despreparo de uma brincadeira entre amigas cuja única proposta, ainda que nunca elaborada oficialmente, era de escrever sobre o que quisesse e o que desse vontade.
Nenhum dos assuntos de que tratamos aqui é nossa especialidade. A nossa especialidade sempre foi sermos nós mesmas, com todas as contradições, defeitos e erros, e dar pitaco no que a gente não entende. Talvez por isso o Megeras tenha sido o que foi, uma casa cheia de amigos queridos que riam e se emocionavam conosco. Talvez se tivéssemos sentado, eu e Ro, a fazer planos, pautas, grandes esquemas e jogadas de marketing, a elaborar assuntos e linhas do que escreveríamos, o Megeras nunca teria sido isso que foi, mais de 700.000 acessos, com tanto leitor legal, com tanta gente boa e talentosa nos fazendo companhia.
Aqui aconteceram as coisas mais maravilhosas dos meus últimos três anos. Por aqui eu conheci as pessoas mais especiais, mais queridas, mais amadas e mais sensacionais de que tenho notícia. Aqui também reencontrei gente que eu nunca imaginei que voltaria a encontrar e escrevi os meus textos mais queridos. O Megeras fica, a partir de amanhã, congeladinho, sem mais posts ou comentários, e eu sigo escrevendo na
casa nova. Fica aqui esse caderno de anotações dos nossos três anos juntos, cheio de recortes, fotos, carinhos, tristezas, vida, para a gente voltar e recordar sempre que der saudades. Foi tudo de verdade, tudo. Isso é o meu maior orgulho.
Queria também agradecer à Ro por esse tempo morando juntas e por todas as coisas que aprendi com ela. Foi só por que ela esteve comigo que o Megeras foi o que foi.
Hora de ir.
Espero que vocês me acompanhem. Beijos.
Até lá.
14.07.2006
UM FIM DE SEMANA FOFINHO PRA NÓS.
E segunda tem mudança para casa nova! Não esqueçam!
ECO-MANUAL DA MONIQUE ESPECIAL PARA O MEGERAS!
A Monique prometeu e enviou. Tá muito legal. Obrigada, Monique!!
ECO-MANUAL MEGERAS
(por Monique Revillion)
Pessoal:
Fiquei de escrever algumas dicas de como as pessoas, individualmente, podem agir de forma a minimizar seus impactos sobre o planeta. Tudo começou quando comentei sobre a questão do aquecimento global causado pelo efeito estufa, que, resumidamente, se dá pela emissão de gases (como o dióxido de carbono, metano, entre outros) - provenientes em sua maior parte dos processos industriais - que se concentram na atmosfera e impedem o calor de sair. Saiba mais
aqui e
aqui.
Mas, há outros problemas, como a poluição em geral, a perda da biodiversidade, a extinção de espécies, o esgotamento dos recursos, etc, etc....
O que a gente tem a ver com isso?
Tudo, pois somos nós, seres humanos, que estamos, sistematicamente, causando estes problemas com nossa irresponsabilidade e visão de curto prazo. Todas as nossas escolham ratificam ou negam esse caminho.
A má notícia é que a situação é grave, e em alguns cenários, irreversível.
A boa notícia é que podemos tentar preservar o que resta, do ambiente, e do frágil equilíbrio que o sustenta.
Ok, somos incoerentes, imperfeitos, e nem sempre muito persistentes. Mas todo esforço vale a pena, e todos podemos colaborar.
Algumas dicas gerais:
- É preciso pensar sistemicamente, em relações, teias, pois é assim que a natureza é, e trabalha.
- Toda crise ambiental é também uma crise social, pois se estamos falando em escassez ou indisponibilidade de recursos, estamos falando também em como garantir um acesso justo e equilibrado a estes recursos. Portanto, o social e o ambiental estão intimamente relacionados.
- O planeta Terra é nossa terra-mãe, nossa base de sobrevivência, nossa e de muitas outras espécies animais e vegetais. O que garante a vida é a diversidade, a biodiversidade. Tudo o que temos em volta, TUDO, vêm da natureza: em algum momento já foi pedra, minério, petróleo, areia, árvore, rio, ou o que seja. Quando tiramos algo do ambiente, ou devolvemos algo a ele na forma de resíduos (sólidos, líquidos, gasosos), estamos causando um impacto. A pergunta que devemos fazer é: como posso causar o mínimo impacto possível ao ambiente?
- O futuro de um é o futuro de todos. Ou seja, nosso futuro é comum, estamos na mesma espaçonave, que é o nosso planeta, e de nossas ações e decisões hoje depende o nosso destino e das gerações futuras. É preciso estabelecer um compromisso ético entre e inter-gerações, que é a base do tal “desenvolvimento sustentável”.
Antes de passar as dicas propriamente ditas, vamos recapitular algumas idéias centrais:
a) Que tudo o que consumimos e utilizamos em nosso dia-a-dia vem da natureza, e tudo um dia voltará a ela, inclusive nós.
b) Que produtos e serviços que consumimos em nosso cotidiano, do fósforo ao elevador, do ônibus ao grampo de cabelo, do copo de cerveja ao serviço bancário, do banho de chuveiro ao jornal na esquina, do carro novo ao churrasco de fim de semana,TUDO, consome recursos, energia, processos, e utiliza recursos naturais e gera resíduos.
c) Podemos viver sem consumir? Não. Precisamos de algumas coisas básicas: oxigênio, comida, algum abrigo. O problema é que somos, hoje, mais de 6 bilhões de pessoas que o planeta precisa suportar, além de manter condições de vida para demais espécies e diversos ecossistemas. E enquanto alguns vivem com o básico, outros consomem por 10 ou 20.
d) Num cenário de intenso crescimento populacional, maior longevidade, consumismo, hedonismo, e extrema pressão sobre o ambiente natural, cada um pode tentar minimizar o seu impacto individual sobre o planeta, sua “pegada ecológica” (que calcular a sua? Vá em
www.ecofoot.org ).
e) Há uma idéia básica que todos podem seguir: Reduzir, Reaproveitar, Reciclar. Ou seja, reduzir o que consumimos (“será que isso que quero comprar é absolutamente necessário?”), reutilizar (prolongar a vida útil do que quer que seja), e, finalmente, reciclar (quando já não nos serve mais, retornar aquilo a um novo ciclo, antes que vire lixo, ou resíduo.
f) Há dois movimentos necessários: desmaterializar o sistema (ou seja, reduzir a necessidade de extração de matérias-primas da natureza, e reduzir a emissão de poluentes e resíduos (pois a capacidade de absorção de nosso “lixo” e poluição pelo planeta mostra claros sinais de colapso).
g) Como tudo está relacionado com tudo, vejam bem: eu posso ter duas ou 20 bolsas, minha bolsa pode ter uma alça de madeira em extinção ou de madeira extraída de forma sustentável (com o selo FSC), pode ter rodado 50.000 ou 50 km, pode ter ajudado uma cooperativa de quilombolas no Pará ou o “Sr. Gucci”, pode ter ainda corantes naturais ou químicos no tecido....Escolhas, escolhas...
[clique aqui para ler o texto na íntegra] RAINY TIPS DA TICCIA.
Depois de 33 graus ontem, chuva na capital da província de São Pedro.
Carreteiro no bar do Nito. Música boa, amigos e cerveja.
Alguns traidores não compareceram.
A par disso, estomatite, à qual Facelo carinhosamente chama de aftosa. Não é um mimo o meu irmãozinho?
Os livros falam comigo, me chamam da estante e quando eu os abro, tá ali o recado que eles queriam dar. Sim, eu sei. Mas o que é que eu vou fazer? Só sei que é assim.
EM QUE POSSO LHE SERVIR?
O que você faz se a garçonete do bar, não sastisfeita em sorrir, pegar, babar, tratar a criatura que está com você pelo nome, piscar olho e gargalhar como se o conhecesse do primário, termina por passar uma suposta listinha para que todos adicionem seus respectivos emelhos?
a) não dá a mínima importância e junta-se ao restante do pessoal da mesa que está achando tudo isso muito engraçado;
b) espera ela passar com a bandeja repleta de coisas e põe a perna no caminho;
c) no espaço reservado ao seu e-mail, desenha uma bonequinha vestida de garçonete com a cabeça decepada por um machado.
13.07.2006
PODE PARCELAR EM ATÉ 10 VEZES.
Seguro de carro é pra pobre. A gente paga um dinheirão em vááááárias prestações para o caso de meliante levar o bólido, ou para não ter que vender a santa mãezinha no caso de encaçapar uma Mercedez série 5.
Rico não tem seguro. Se der azar, compra outro carro. Ou pechincha o preço da sua mãezinha.
DESEJO DE MORTE.
ÉTICA FRATERNAL.
Um a zero para o Grêmio, São Paulo empata. Eu tiro o telefone do gancho para não receber ligações de Facelo, o irmão hooligan colorado.
Mais tarde, findo o jogo, São Paulo 2 x Grêmio 1, recado na secretária eletrônica:
- O que foi issoooooooo? Tragédia no Morumbiiiiiiiiiii. Que coisaaaaaaaaaa. Que chatôôô...
Pra piorar, o time dele ganhou de 2 a zero.
Merda.
HUMMMMMMMMM.
12.07.2006
KAFKA RULES.
No guichê de uma repartição pública:
- Como é que estrangeiro faz pra regularizar o *documento XYZ* ?
- Vai na embaixada brasileira ou manda procuração pra trarem disso.
- Então é só vir aqui?
- Alguém munido de procuração com poderes específicos e firma reconhecida.
- Mas o gringo tá aqui.
- Mas aqui só pode tratar disso alguém com procuração dele.
- Mas peraí. A senhora não está entendendo. A pessoa está no Brasil, ela mesma em carne, osso e boa vontade, quer regularizar a situação do *documento XYZ*, mas não pode tratar disso pessoalmente?
- Não, só por procuração.
- Tem que ir a um tabelionato com duas testemunhas que atestem que ela é ela, registar firma, depois achar algum vivente disposto a aceitar uma procuração para tratar de regularizar o *documento XYZ* dela em seu lugar, reconhecer firma, e ainda convencer o vivente esse a ir até a repartição, pegar senha e ser atendido, tudo com o próprio interessado ao lado, se for o caso?
- É.
Em uma palavra: SURREAL.
CASA NOVA.
Dia 17, segunda-feira, inauguração do novo Blog.
YEAH.
CONCORRÊNCIA PREDATÓRIA.
11.07.2006
PORQUE ROSA PODE SER UM NOME OU UM MOTIVO.
Quinto Motivo da Rosa
Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,
não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...
Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.
Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.
(Cecília Meireles)
DO QUE NÃO FOI.
Picasso
O que não vivemos pode ficar dentro, algo torto, meio morto, como um espinho que a pele não rejeita, cobre de tecido e, com o tempo, a gente nem sente mais. Pode ficar lá silente e imóvel, jóia perdida no mar enterrada na areia, de resgate impossível. Pode ser esquecido poema escrito em um caderno em desuso, metido no fundo de uma caixa qualquer. Pode se tornar inerte e seco, rosa prensada dentro de um livro, ameaça inócua e longínqua. E podemos não lembrar mais, e já não doer mais, e já não incomodar mais, e já não vir seu nome visitar a língua. Podemos não calçar mais seus sapatos e nossos dias podem deixar de ser sombras dos seus sóis. Até que alguma onda revolve a terra e traz à praia aquele tesouro, até o dia que a pele inflama e o espinho coloca a ponta para fora, até o dia em que um poema, uma música ou a vida, por qualquer crueldade dessas em que ela é especialista, nos segura pelos ombros e nos cospe nos rosto. Então nos surpreendemos com o quanto conseguimos nos enganar e por quanto tempo.
SOS MEGERA LOUCA DA CACHOLA. Atualizado.
Meu povo, a médica da cabeça me sugeriu ontem a leitura de um texto do Contardo Calligaris que saiu na Folha de quinta passada (06.07). Será que haveria por aí uma alma caridosa que pudesse fazer a mão de mandar por mail para uma pobre criatura (no caso, eu) que não tem assinatura? Alguém? Plis?
Atualização: Maloca mimosa já me mandou. Para quem quiser conferir, é só clicar no link abaixo. Ter MILHARES de amigos é muito bom.
[clique aqui para ler o texto na íntegra]MORNING TIPS DA TICCIA.
Monique, a nossa melhor contista brasileira, prometeu que vai elaborar manual de pequenas ações - grandes resultados, que a gente pode fazer para ajudar ecologicamente. Eu disse que a mulé era uma bafo, não disse? Sentiram o drama? Então.
Guaraná do Amazonas Sanitas. Paullinia cupana, 500mg. Energético e estimulante. Atua como coadjuvante no tratamento de indisposição e fraqueza. Venha a nós o vosso reino.
Já te chamaram de
excelente cozinheira? Num livro, assim pra posteridade, pra mostrar pros netos? Um cidadão que escreve sobre comida? Não, né? Então tá. ARRASEI. Põe aí no currículo, EGOdzilla, se faz favor.
Dia azulíssimo de outono em Porto Alegre. Daqueles.
Conselho da manhã
durante o café:
Boi lerdo não é devorado por piranha, mas bebe água suja. Lembre-se. Resposta do amigo:
Vou me atirar às piranhas assim que der, porque eu quero beber água limpinha. MOOOOOOOOOOITO BEM. Antes cedo do que nunca, é o que eu sempre digo.
Blog novo QUASE pronto.
Em tempo: eu não vou te mandar recado nenhum, como combinamos. Mas eu sei que estás aí e eu fico feliz.
10.07.2006
ALERTA VERMELHO.
Uma ameeeeega que jura que não lê a Pípol, mandou
link para a seguinte matéria: Star bodies, Hot or Not?

Kate Bosworth

Keira Knightley

Lara Boyle

Lindsay Lohan
MINHA MULHER.
Hoje te canto e depois no pó que hei de ser
Te cantarei de novo. E tantas vidas terei
Quantas me darás para o meu rosto outra vez amanhecer
Tentando te buscar. Porque vives de mim, Sem Nome,
Sutilíssimo amado, relincho do infinito e vivo
Porque sei de ti a tua fome, tua noite de ferrugem
Teu pasto que é o meu verso orvalhado de tintas
E de um verde negro teu casco e os areais
Onde me pisas fundo. Hoje te canto
E depois emudeço se te alcanço. E juntos
Vamos tingir o espaço. De luzes. De Sangue.
De escarlate.
Hilda Hilst
Não lembro quem, nem o que, não me lembro o porquê, sei que um dia abri um livro dela e li a poesia mais arrebatadora e definitiva que já tinha lido e que iria algum dia ler. Lembro que engasguei, reli, sufoquei, abri a boca, passei a mão sobre o papel como se aquilo ali fosse possível de absorver pelos poros. Pudesse eu fazer um livro virar chuva, teria me encharcado dos versos dela e brincado nas poças, e bebido, bebido sim, na concha das mãos goles daquelas frases elegantes e puras, como uma água que desce do céu, límpida, cristalina, celeste e fecunda. Li aqueles poemas com olhos e boca e pele e suor e sexo e ânsia, cheia de esgares e espantos, ajoelhada de alma e espírito, diante daquela santa profana e louca, daquela mulher com dentes e mãos e vulva, daquela mulher cheia de raiva e desejo e amor e morte, que falava do tempo e da vida com sangue na língua e agulhas escondidas nas mangas. Li aquilo sabendo que estava diante da poesia que eu queria para mim e a odiei um tanto e quis ser sua filha, sua amante, sua amiga e quis me emprenhar dela para que quando eu pensasse no sentir, sentisse como ela.
Da série COMENTÁRIOS QUE COMENTAMOS - Calorzinho é bão mas é ruim.
Recebo por mail da
Monique o seguinte texto, acerca do meu refestelamento com o calor:
"Ticcia
Só escrevo este e-mail porque gosto de ti, e teu blog hoje comenta algo que mexe com minhas lombrigas...
Sobe nosso inverno quente, maiores médias dos últimos anos, a genta tá falando de aquecimento global, de mudança climática. E este é um fato gravíssimo, com consequências tremendas, e pouco faladas.
Claro que entendo alguém desgostar do frio, mas queria te contar.
Estudo isso faz anos, sob a perspectiva da administração (minha tese foi relacionada com a crise ambiental global) e pode ter certeza que o quadro é dramático, e vem mais por aí. Cada grau médio de elevação na temperatura global tem efeitos devastadores no equilíbrio do planeta: extinção de espécies, crise social, desertificação, escassez de água, eventos climáticos mais e mais sérios (lembra do Catarina, da temporada de furacões dos EUA, das enchentes na Europa? E mesmo o frio extremo em algumas regiões do hemisfério norte...é tudo a mesma coisa...).
Em última análise, estamos invliabilizando nossa própria sobrevivência, e pra muitos efeitos, não há mais nada a fazer: tarde demais. Em escalas mais dramáticas, tem o derretimento das geleiras (e o aumento do nível do mar), alteração de correntes, a ameaça ao plâncton marinho (a base de toda a cadeia alimentar no mar e a maior fonte de oxigênio do planeta), ilhas já sendo ameaçacas e criando "asilados ambientais", expressão que a ONU criou faz pouco tempo, sinal de nossa era.
Isso só pra citar os efeitos mais evidentes, é claro que tem muito, muito mais. Então, cada vez que eu escuto alguém dizer "que bom que está assim quente" me dá um arrepio na espinha... Se tudo se resumisse a botar um biquini e ir tomar sol, seria ótimo. Mas não é.
Existe hoje um grupo de mais de 300 cientistas comissionados pela ONU (alguns prêmios Nobel entre eles) só pra estudar alteração climática. Se Chama IPCC, Intergovernmental panel on climate change, e o que os caram andam dizendo é mais do que assustador. Só o Bush e sua equipe comprometida com a energia (poluente) do petróleo não querem ouvir. Colei abaixo um texto que peguei por acaso, só pra ilustrar.
Seria bom se a gente pudesse chamar São Pedro e pedir pra ele dar um jeitinho nas coisas, mas ele não tem nada ver com isso. É um desafio gigantesco deter esse processo, mas ainda há possibilidades. Mas isso seria assunto pra muitos outros e-mails... Desculpe se tu já sabia disso tudo, mas não resisto em falar.
Sou meio eco-chata às vezes, não sei, mas é que essa informação toda é tão perturbadora que penso que é preciso falar.
beijo
Monique"
Falou Monique, às vezes a gente pensa nas canelas geladas e esquece das gerações que vem aí.

Obrigada pelo mail e pelo texto. Resolvi dividir com os leitores do MM porque acho que estás coberta de razão e a gente tem pensado muito pouco nisso. Grande beijo!
[clique aqui para ler o texto na íntegra]AI, MEU SÃO CRISTÓVÃO!
E pra terminar c'os meus nelvo, o Gmail subiu no telhado, é isso?
DA ATÉ ENTÃO INSUSPEITA ORDEM PERFEITA DAS COISAS.
Klimt
E então é como se a vida não fosse mais só aquilo, aquilo que aprendemos até ali a chamar de vida, este espaço de tempo do que se vê, do que se cheira, do que se come, do que se sente, dos lugares por onde andamos, das músicas que ouvimos, das lágrimas que derramamos, dos sorrisos que sorrimos. Então é como se tudo isso ganhasse outra dimensão muito maior, muito mais perfeita, com cores e cheiros e notas muito mais vivas, uma dimensão que para existir e ser entendida supõe o outro e as lágrimas para sempre partilhadas e os sorrisos invariavelmente cúmplices, mesmo que intuídos no que será. E é como se não tivéssemos enfim nascido condenados a ser essa carne ambulante e triste, solitária e fria, como se finalmente achássemos algo a pertencer, a aninhar, como se, incrivelmente, houvesse um lugar a chegar, no final das contas. E então tudo toma um jeito diferente e único, tudo faz e ganha um sentido, até então
oculto quando seria o óbvio. E viver é mais, muito mais, porque supõe implicitamente isso tudo e pressupõe o que há de vir, o que inderrogavelmente e inafastavelmente há de vir, porque a certeza nos nasce irrefutável e concreta de que a nada é permitido fugir desta ordem perfeita das coisas a que chamam felicidade.
EARLY TIPS DA TICCIA.
Metereologia avisa que Pedrão, o patrono da Província, vai nos brindar com o inverno mais quente dos últimos anos. O homi atendeu aos meus clamores e me poupará de mais um mês de frio. Grande Pedrão.
Tem gente me devendo mail. Sim, é com o senhor mesmo que eu tô falando.
Seis da manhã a moça aquela que vocês conhecem acorda e nada de dormir de novo. Adrenalina, minhocolas na cachola, macaquinhos no sótão, imaginação a milhão, self-divã. E os zóião véi lá, estaladaços.
Sanduíche de salmão defumado e cream cheese. Porque eu mereço.
Ai.
Ponto fraco. Fraquíssimo. Hum.
A ITÁLIA GANHOU. PUDERA.
09.07.2006
TESTOSTERONA. OUI, OUI, OUIIIIIIIIIIIIIII. Atualizado 2.
Zidane poderia encerrado sua carreira de forma mais profissional do que sendo expulso por ter dado uma cabeçada em um adversário, é verdade.
Mas que homens que têm descontroles momentâneos têm lá eu valor, têm. Uff.
Atualização: Danielle Mística informa que Monsieur Zinedine Zidane tacou a cabeça no outro aquele porque este teria ofendido a sua santa mãezinha, segundo a leitura labial do Fantástico. Tá justificado.
Atualização 2: Solideusa manda a gente deixar de ser pateta e ficar sabendo que a ofendida foi a irmãzinha de Zidane e não sua progenitora. Óquei.
07.07.2006
Da série GLAM - HAVE A NICE WEEKEND.
A. Brito
ALGUNS O QUES.
Não sorrir quase nunca mas quase sempre conosco, teimar em coisas que sabe que são imbecis, fazer o que a gente pede mas não admitir jamais, usar referências que só a gente entende, guardar lembranças de infância como se fossem um pequeno tesouro, gostar de contar histórias, ficar lisonjeado com o olhar de admiração, achar (injustamente) que não é aquilo tudo que os outros pensam, ficar envergonhado com manifestações públicas de carinho, fazer cara de mau para se proteger, achar encantadores os góing góing góins que a gente faz mas nunca falar nisso, fazer declarações de amor em pequenos gestos mas dificilmente em palavras, abraçar bem forte, ficar atarantado com lágrimas, espantar a nossa tristeza com as nossas coisas preferidas, ter lugares secretos para retiro em momentos cruciais da vida, admirar nossa capacidade de deslumbramento e entusiasmo. Basicamente isso.
Da série CORRESPONDÊNCIA SECRETA - Largando pras cobra.
- Vamos almoçar?
- No Ocidente!
- Não! No Ocidente não!
- Ah, vamooooos...
- Não, jurei que não ia mais lá, fiz um termo de compromisso.
- Vamos, vamos, vamooooooooos...
- Ohmodeuso... tá.
- Eba! No teu carro ou no meu?
- No teu.
- Uia! Hoje tu tá tão...
- Kamikaze.
- Isso!
Da série CORRESPONDÊNCIA SECRETA.
- Ai, tá me dando umas quizina! Tô com pensamento fíquiço, fíquiço, fíquiçooooooooo.
- Mais sessões de análise.
- Mais?
- Mais.
- Mais que todo dia?
- Todo dia??!
- É.
- E em exorcista, tu já pensou?
FRIDAY TIGER TIPS DA TICCIA.
O inverno gaúcho anda ameníssimo, embora a previsão seja de friaca no finde. Aproveitemos enquanto dura o calorzitcho, irmãos.
Minha hiper mega ultra bolsa
Megeras de férias no Caribe fugindo do Minuano CHEGOU. Vocês não fazem idéia do bafo que é. Alças de veluuuuuudo verde malva. Forro de pois preto e branco. E Megeras leeeeeeeeeeendas no melhor estilo tropical sixties pinups. Publicarei fotas.
Eu e Margarida falando ao telefone e Clarinha brincando na volta dela, até que Clarinha se enroscou no fio do telefone e eu ouvi:
"Mãe, socorro, tô pêsa!" Chorei de tanto rir.
Dirigir, sem rumo. De preferência quando o sol vai se pondo, à beira do rio. A cabeça vai assentando, as conexões se fazendo e as fichas despencando. Beleuza.
Eu adoro comprar flores para a casa.
Mercúrio está retrógrado desde terça, mas ondem Júpiter voltou a direto em Escorpião. Ao que parece, paixonites potencializadas e risco de falar o que não deve, ou ser mal interpretado. Era o que tava faltando de sarna para eu me coçar.
Lembram dos tigres? Lembram? Só pra saber se vocês lembravam.
E não, a minha restituição não veio no segundo lote.
06.07.2006
DELICIOUS POLAROID.
Da série COMENTÁRIOS QUE COMENTAMOS - Sobre o Post VENENINHO BÁSICO - Isso mesmo Greice, cadê os homi?
Greice comentou às 16:08 de 06.07.2006:
Tíccia, não tenho nada a comentar deste esqueleto aí não, sempre achei horrível. Só queria ter um corpo desses pra me encher de chocolate e creme suíço no inverno e aí sim, ficar "boazuda" como diz a Juliana.
Mas só entrei nos comentários pra ver se tinha alguma opinião masculina sobre o fato. Não tem... cadê os homens daqui?
Isso aí, cadê os homens? Manifestem-se a respeito da mocinha aí embaixo e deste conceito de beleza. Queremos saber.
VENENINHO BÁSICO.
Gente quequiéisso. A mulher tá com umaS muchibinhas murchas dessas e ainda tem coragem de colocar um vestido que dá a impressão que acabou de voltar da Somália? Nananinão. Meda. A gente fica em dúvida se o filme é Piratas do Caribe ou A Noiva Cadáver.
Mostrar o que convém e disfarçar o que não favorece. Sempre.
Costelas e ossos e pelancas NEVER.
ORA POIS.
Para que conste: quando eu vi o Roberto Leal entrevistado no Jornal Nacional de terça à noite sobre o jogo do dia seguinte, tive um mau pressentimento.
DOMINGO DE MANHÃ.
Na linha do
Confort Love, percebi hoje que eu fiz o meu quarto para as manhã de domingo. Aquelas paredes verde-maça foram especialmente pintadas, ainda que eu não soubesse disso, para que eu pudesse acordar de camisetão, abrir a janela e deixar o sol entrar através das cortinas brancas para, depois de ver o céu imensamente azul da janela, voltar pra cama e sentir um abraço sonolento sem hora para levantar, beijar com cheiro de soninho e me perder entre braços e pernas e bocas e risos e suspiros e murmúrios, e expulsar a Hilda da cama com tanta movimentação. Depois, bem depois, café na cama com muita fome e banho juntos. Voilá. Agora que eu já sei disso, quem sabe um dia.
CURTA EM 8MM.
NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA.
Sobre ontem à tarde: falta de finalização por falta de finalização, o gol da França foi de pênalti. Pênalti, aliás, que também era para ter sido marcado a favor de Portugal e não foi. O justo teria sido acabar empate e São Ricardo que nos valesse. Mas não foi isso. Valeu para que o mundo visse Felipão no melhor dos seus tempos de Grêmio, pouco faltando entrar em campo para empurrar os guris, xingando árbitro e técnico adversário. Eu gosto daquele homem. Gosto de homem teimoso, o que se há de fazer. É das minhas melhores qualidades. E gostei dos meninos portugueses, da vontade de se superar, do ímpeto.
Uma final Itália e França não mexe com meus brios, mas vai ser um espetáculo de homem bonito.
Enquanto isso, posso ver Portugal x Alemanha, que vai ser a final que não foi, mas que deveria ter sido.
O melhor de tudo, ainda, foi a eliminação da Argentina. Permitam-me dizer que eu ODEIO a argentina.
THURSDAY TIPS DA TICCIA.
A megera enteada me disse ontem que eu daria uma mãe incrível. Ela é que daria uma filha incrível, oras. Agora fico querendo me matar porque não roubei aquela coisinha loira pra mim.
Ticcia, a mega imitona, adotou o confort menu da
Miss Scarlet: cabelinho de anjo na manteiga com parmesão e uma taça de vinho. Depois sweet dreams ao som de jazz.
Margarida me diz que eu tô muito mais bonita.
Margarida está criando um monstro.
Margarida não tem loção do perigo.
Super-ego? Sei não. Não tem vindo trabalhar.
Verdade seja dita, nada melhor que água batendo na bunda pra um fulano aprender a nadar, é ou não é?
Seu pai lavando roupa no seu apartamento é bom. Você e seu pai chorando de rir porque Hildolina deu plantão pra enterrar os pingos d'água que caíam da roupa dependurada dentro da bandeja de areia: não tem preço.
Fada madrinha tá trabaiando de sol a sol pra aprontar a casa nova. Tá ficando uma cooooouuuuuuusa.
Clarinha e seu namorado fizeram pãozinho integral recheado de frango pra mim. Assim não há relógio biológico que permaneça parado, né?
Gentem, até Madonna, na impossibilidade de adquirir as legítimas, anda por aí com falsificação de
La Reina Madre. MORRAM.
05.07.2006
SEM MEIO TERMO.
Não se vive aos cadinhos. Não se esmola vida. Não se pede licença para existir. Não se existe de favor. Viver é apoderar-se dos instantes, copular com os dias, apossar-se do estar sendo, emprenhar-se do mundo, dos sentidos, do agora. Viver é rasgar-se por dentro, deixar-se arranhar pelos cílios do medo, vibrar na alta freqüência do desmedido, enfiar a língua entre os dentes da insanidade, parir-se ao contrário todas as manhãs. Viver não é um exercício de preservação, mas de flagelo. Não há resguardo possível àqueles que estão vivos, nem prudência, nem moderação. Vida é o caminho que se faz todos os dias entre a loucura e a sanidade. Estar vivo é não ter medo de se perder nesse percurso.
SOS TIPS DA TICCIA.
O meu último dente siso restante resolveu inflamar. Isso de dente do juízo deve ter algum fundamento, definitivamente.
Sabem aquele brinquedo de parque de diversões onde a gente senta dentro de uma xícara que roda e roda e roda numa direção e, de repente, inverte o sentido e sai despirocando pra outro lado? Pois é.
Tô plenamente convencida de que a história das joaninhas é verdade. Se sair para caçar não acha nada; se dormir debaixo de uma árvore, acorda coberta delas. Under the Toscan Sun descontrol.
Meio litro de chá de camomila. Passiflora. Maracujina. Três da madruga e os zoião véi lá, estaladitos no más.
HANNIE.
A ciascun’alma presa, e gentil core,
nel cui cospetto ven lo dir presente,
in ciò che mi rescrivan suo parvente
salute in lor segnor, cioè Amore.
Già eran quasi che atterzate l’ore
del tempo che onne stella n’è lucente,
quando m’apparve Amor subitamente
cui essenza membrar mi dà orrore.
Allegro mi sembrava Amor tenendo
meo core in mano, e ne le braccia avea
madonna involta in un drappo dormendo.
Poi la svegliava, e d’esto core ardendo
lei paventosa umilmente pascea:
appresso gir lo ne vedea piangendo.
[Dante Alighieri, Vita Nuova, chapter 3]
ADIEU, LES BLEU!
Rititi me informa que a torcida brasileira que hoje torcerá para Portugal adotou um lema:
"Liberté, Egualité, Vancifudê!!"
Acabo de aderir ao movimento.
04.07.2006
EU E MINHA NAMORADA, MAIS UMA VEZ.
Dia dos namorados, Paulinha, a Megera Irmã, de visita à capital do estado, maridão em Pelotas. Resolvemos jantar onde sempre jantamos na ausência do Marculino avesso a peixe: japonês.
Combinamos de madrugar na frente do restaurante, modos que dia dos namorados é sempre aquele atrolho de pombinhos. Chegamos 19:45 e fomos as primeiras (da lista de espera). Às 20:20 conseguimos uma mesa no mezanino e lá fomos as duas degustar sushis, sashimis e nossas sakerinhas de frutas vermelhas. Nós as duas, e mais 24 casais de enamorados arrulhantes, coisa muito linda, diga-se.
Na hora de pedir a conta, os garçons tinham sumido e dois dos sushimen pareciam se divertir com nossos olhares perscrutadores à caça de viv'alma que nos ajudasse. Comentei com a Paula que eles já tinham visto que queríamos a conta, mas inacreditavelmente nenhum dos dois falava nada para os garçons que continuavam indo e vindo e nos ignorando olimpicamente. Consegui finalmente chamar a atenção de um, que gentilmente trouxe a nota. Já na saída, ao passar pelo balcão, ouvimos dois simpáticos "Boa nooooite! Voltem Seeeeeeeeempre". Foi aí que, pelo tom dos rapazes, pelos sorrisos, pelos olhares brilhantes e gulosos, nos demos conta de que eles estavam se divertindo há mais de uma hora com a idéia de que nós as duas fôssemos, também, um casal. E saímos ambas rindo muito e fazendo carão de noite de núpcias.
DELICIOUS FREAK.
NUVENS.
Klimt
Então de que eu te falaria? Das nuvens daquele dia, janela afora e olhos a dentro. Do calor do teu colo imaginado, do gosto da tua boca não provada, dos teus dedos por entre os meus cabelos enquanto eu dormia. Falaria da tua companhia invisível por muitos dias e do quanto a lembrança do teu sorriso pôde impedir minhas lágrimas, de ter achado um abrigo sobre o oceano que diminuiu a escuridão que vinha comigo. E te falaria da vida, essa que não conheces.
SEM MAIS NEM MENOS.
Não, a vida não nos explica nada. Ela faz o que bem entende, inventa moda, faz firula, sai de lado, nos deixa com uma mão na frente e outra atrás, sem lenço e sem documento, sem eira nem beira e é isso. Nem bispo tem pra reclamar. Não tem manual de instruções, não deixa consultar os universitários, não obedece as universais leis da física, não tem intervalo, prorrogação, pênaltis, replay, não tem tapetão. A vida chega e pum, apresenta a conta, demanda atitude, não quer nem saber se o pato é macho e exige o ovo, não ouve embromação, não aceita desculpa. A vida não nos dá garantia nenhuma de que é isso mesmo, agora sim, agora vai, acertei, certificado ISO 14000. Não. A vida não é um teste que a gente passa e pronto, tá habilitado, nem um grande problema a ser resolvido. É um quebra-cabeças mutante onde mudam as peças, muda o desenho, muda você e muda o tabuleiro. A vida é foda.
AS MULHERES OCAS.
Headpiece filled with siraw
T.S. Eliot, "The Hollow Men"
Nós somos as inorgânicas
Frias estátuas de talco
Com hálito de champagne
E pernas de salto alto
Nossa pele fluorescente
É doce e refrigerada
E em nossa conversa ausente
Tudo não quer dizer nada.
Nós somos as longilíneas
Lentas madonas de boate
Iluminamos as pistas
Com nossos rostos de opala.
Vamos em câmara lenta
Sem sorrir demasiado
E olhamos como sem ver
Com nossos olhos cromados.
Nós somos as sonolentas
Monjas do tédio inconsútil
Em nosso escuro convento
A ordem manda ser fútil
Fomos alunas bilíngües
De "Sacre-Coeur" e "Sion"
Mas adorar, só adoramos
A imagem do deus Mamon.
Nós somos as grã-funestas
Filhas do Ouro com a Miséria
O gênio nos enfastia
E a estupidez nos diverte.
Amamos a vida fria
E tudo o que nos espelha
Na asséptica companhia
Dos nossos machos-de-abelha.
Nós somos as bailarinas
Pressagas do cataclismo
Dançando a dança da moda
Na corda bamba do abismo.
Mas nada nos incomoda
De vez que há sempre quem paga
O luxo de entrar na roda
Em Arpels ou Balenciaga.
Nós somos as grã-funestas
As onézimas letais
Dormimos a nossa sesta
Em ataúdes de cristal
E só tiramos do rosto
Nossa máscara de cal
Para o drinque do sol posto
Com o cronista social.
(Vinicius de Moraes,
in Para viver um grande amor)
OOOPS.
Meu cérebro derreteu. Manja aquilo de caldo primordial? Essa é a impressão. Dissolveu tudo e agora estão lá flutuando amebas, protozoários, organismos unicelulares, muito primitivos, batendo seus flagelinhos, fagocitando, boiando, na base na osmose nossa de cada dia, mais pro menos, blurp, oooorgm, mmmmum.
Também poderia dizer que meu disco cerebral deu pau. Passei dias uploding tudo o que eu podia e o que não podia, e agora dei dois clics no C:/ e a resposta foi nenhum arquivo encontrado. Tendo formatar e não consigo. Dá mensagem de erro. Olho nas propriedades e dá que espaço todo tá ocupado. E não lê nada. Sabe?
DELÍCIA. Atualizado
RONDA LARANJA.
Pelamordedeus, vocês já viram que
as gorduchas estão torcendo para Portugal e até deixaram crescer o buço?
Corre lá.
Alienígenas me abduziram e eu devo estar morando em Londres e nem sei. Não se enxerga um palmo na frente do nariz de tanta neblina.
O senhor do café não deve estar conseguindo fazer readaptação aos trópicos.
PC da
Falzuca tá bichadim, nosso marido Alexandre avisa. Dê-lhe Valium e adesivo pra agüentar a abstinência.
Belitchima, minha musa (Megero Pai comentou depois como é linda e chalmosa), sugere que as pessoas estressadas vão literalmente screw you. Eu acho que adiantaria, mas quem vai pro sacrifício?
Cris Carriconde, aquela moça querida pelotense talentosíssima que estudou no mesmo colégio que eu é amiga do Vitor Ramil e faz fotos inacreditéveis de lindas e isso é só o começo, indicou o Megeras para o mais novo hype do pedaço:
skype blog. Bafo, bafo, bafo.
Ele é um gênio e agora desvenda O Código Morse. Vá de fralda geriátrica para evitar acidentes.
03.07.2006
DAS EXPLICAÇÕES QUE O ACASO NOS DÁ.
somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously)her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses )
nobody, not even the rain, has such small hands
E. E. Cummings
VENENINHO BÁSICO.
Gente, pode dizer, é só despeito da minha parte,
ou se essa senhora continuar se plastificando pra
arrebitar o nariz e continuar tacando botox na boca
pra esconder as rugas vai virar uma fuinha?
INSUSPEITABILIDADES.
Marke
Eu gosto dos avessos do dia, das horas por trás das horas, do tempo que é o tempo que só nós conhecemos, dos segredos revividos nas entrelinhas, confissões subentendidas, pistas, indícios, insinuações. Gosto da vida urdida por dentro, das costuras feitas por trás, do entendimento cúmplice, das mensagens ocultas, dos sorrisos pressentidos, enrubesceres intuídos, leve suor de mãos, confissões veladas, palpitações, o que se partilha em silêncio inacessível aos olhos do mundo. Gosto dessa de mim que é só tua. Gosto desse de ti que só é para mim. Gosto de atravessar o dia secretamente de mãos dadas contigo.
HAI KAI A PROPÓSITO.
Coração na boca
Cala-te e me beija
Diálogo pulsante.
CONJECTURAS.
Hopper
E se a gente tentasse, se experimentasse isso, visse o que acontece, se se deixasse levar sem pensar, se a gente se permitisse viver e provar, ousar além do que sempre fizemos, deixar pra lá uma vez as responsabilidades e conseqüências e sentir, só sentir, sem
mas sem
quando sem
se sem
depois sem
então sem
quase, se a gente provasse isso que se insinua pra conferir o que é, se fôssemos ao encontro disso sem nem saber direito o que poderia acontecer, ignorássemos o medo, a culpa, os temores, os receios, o bom senso, o juízo, a prudência e nos propuséssemos a descobrir o quê?
TEA TIPS DA TICCIA. (Repita três vezes sem se cuspir).
Fog, fog, fog. London is right here.
Hoje ainda, possivelmente, atingiremos a marca estarrecedora de 700.000 acessos. Cês não tem mais nada que preste pra fazer, né? Têm? Logo vi. Mas continuem conosco.
Blog novo deve estar pronto até o final da semana.
A fada dos pixels avisou. YEAH.
Se eu liguei é porque tive vontade. E vice-versa. Ninguém mais me pega na obrigação de expressar preocupação ou afeto. É assim.
Se gente fosse que nem orelhão, eu juro que me atracava a soco para ver se a ficha cai. Mas não.
A tia das idéias vai fazer uma festa hoje com o material do final de semana.
01.07.2006
DÁ-LHE, DÁ-LHE, DA-LHE GRÊÊÊÊÊÊMIOOOOO, DÁ-LHE, DÁ-LHE, DA-LHE GRÊÊÊÊÊÊMIOOOOO!
A CARA DO BRASIL
A CARA DE PORTUGAL
Precisa mais alguma outra explicação? Não, né? Então tá.
Ambos os técnicos conseguiram proezas históricas hoje. O Felipão levou Portugal às semi-finais. O Parreira conseguiu juntar alguns dos melhores jogadores do mundo e fazê-los sumir.
Agora vocês me dão licença que eu vou torcer pro
Grêmio ganhar a copa.